sexta-feira, 8 de abril de 2016

Crônica do Além

Na infância, eu já me preocupava com o que pescava das conversas dos adultos. Mesmo quando metida nas brincadeiras de criança, a vida me preocupava profundamente. E não era apenas uma preocupaçãozinha! Não! Eu colecionava preocupações diversas, a maioria nada a ver comigo, mas com pessoas que eu amava.
Porém, isso não significa que eu não tenha me divertido muito e passado devidamente pela fase infante, muitas foram as brincadeiras, as traquinagens, as chineladas nas nádegas, as reinações e as brigas com os amiguinhos!
O fato é que eu percebia coisas que meus amiguinhos de infância não percebiam, porque estavam fazendo o que deviam fazer: brincando e sendo crianças. Essa habilidade em vasculhar e prestar atenção no que não me dizia respeito, levou-me a ser um ótima contempladora de além, e a compreender melhor as situações realistas e diretas. Até hoje, com mais de trinta e cinco anos, minhas amigas me surpreendem com revelações sobre nossa infância e adolescência. Não são poucas as situações que aconteceram e não vivi, apesar de estar presente. Claro, eu me distraí completamente da realidade nua e crua, das conversas diretas da vida naquela época, especializando-me em profundidades e preocupações futurísticas. E por mais que eu ache, que isso foi-me bem melhor do que a outra opção, não faz sentido algum aos que me cercam.
Contemplar o além me faz escutar mais do que os outros gostariam de dizer. Mas isso, de maneira nenhuma, não é inventar sentimentos ou reescrever a biografia de outras pessoas, como uma revista de celebridades, é somente um prestar atenção que segue adiante, que não se satisfaz apenas com o que é oferecido e que está na cara.
Obviamente, contemplar o além me ensinou a questionar, a pensar mais, não ficar esperando, mas agir, mas não por impulso, enquanto os outros ficaram ou ficam apenas prevendo o que poderá acontecer!
Ser contempladora de além me ensinou a ser fria e calculista, nada me passa despercebido. Ser contempladora do além me ensinou a ser espiritualista, avaliar o certo e o errado. Ser contempladora do além me ensinou a escrever, algo sempre me foi uma precisão de dizer coisas que não cabem em lugar nenhum, a não ser na imaginação. 
Enfim, ser contempladora do além me ensinou a dosar a vida e a pensar no que virá depois dela, não que isso seja crucial para mim, mas tenho certeza que será para quem ficar por aqui! Pois de mim ficaram somente as lembranças e faço de tudo para que sejam boas e que se lembre de mim pela dignidade que tive.
Ser contempladora de além não me fez somente para viver o presente, nem para viver de memórias e lembranças, mas para me jogar na tempestade, mesmo quando, exteriormente, a paz pareça reinar e  para encarar a vida de frente.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Eu sou assim!

por H. Thiesen 


Sou assim, humana,
com defeitos e virtudes,
Vivo intensamente,
cada momento em plenitude,
Luto, eu sempre luto,
porque lutar é buscar a vitória,
mesmo que o caminho,
seja repleto de obstáculos,
eu não desisto, não me acovardo,
tropeço, mas levanto,
Tenho objetivos e sonhos.
Objetivos são para serem alcançados!
Sonhos para serem realizados!
Adoro a liberdade e sou livre
para prosseguir o meu caminho
para analizar meus erros
e saber por que errei
para compreender os meus acertos
e continuar a repeti-los
Sou livre para resignar-me às mágoas
e desenvolver em mim o perdão
Sou livre para absorver as derrotas
e erguer-me dos escombros
Sou livre para saber vencer
e prosseguir com humildade
Sou livre para ver derrotados
e estender-lhes a mão
Mas, não sou livre
Não sou livre para ver injustiça
miséria, fome e sofrimento,
angústia e desespero
e ficar de braços cruzados,
sem ao menos oferecer o ombro
Eu sou assim,
livre, mas presa
alegre e triste
Sou apenas uma humana
Que vive os sentimentos
que vive para amar
e ama para viver!
Eu vivo assim,
para quando o inverno da vida chegar
e a luz no fim do túnel eu avistar
eu possa inflar o peito e dizer:
Eu vivi e não me arrependo!

terça-feira, 29 de abril de 2014

Igualdade e Desigualdade Social



por H. Thiesen

Na sociedade primitiva pré-histórica, não havia separação por classes sociais, os produtos da coleta de alimentos, bem como, da caça e da pesca, eram partilhados com igualdade, entre todos os indivíduos dos clãs ou das tribos. Mais tarde com o advento do pastoreio, isso também podia ser verificado.
Dez mil anos atrás, com o surgimento da agricultura e com a fixação do homem às áreas mais férteis do planeta, permitindo o aparecimento do excesso de produtos – que chamamos de riqueza – e estabelecendo a troca, como a primeira forma de comércio, entre as diversas comunidades já existentes, originaram-se, rudimentarmente, os sinais da desigualdade social no âmago da sociedade antiga. Neste sistema precário de sociedade e comercio, já havia quem possuísse mais e quem possuísse menos ou até quem nada  possuísse, contribuindo de um jeito efetivo no surgimento de ricos e pobres, senhores e escravos, castas e demais divisões sociais. Rompendo-se o padrão original da civilização, porém como um produto da circunstância e não uma escolha consciente.
Nesta  fase  surgem os embriões das  grandes religiões da Antiguidade, contendo as proposta de celebração do amor ao próximo, junto a informação quanto à origem espiritual do Homem, noções que passavam despercebidas pela grande maioria dos indivíduos, atraídos pelo culto externo à Natureza, levados a ver as religiões como uma forma de solução especial para as questões materiais. Velavam-se cultos para pedido de prosperidade, fertilidade, riqueza, virilidade, vitória nas batalhas e outras formas de materialidade, mas esqueciam-se das aspirações espirituais, como amor, paz e fraternidade. 
A igualdade de tratamento é muito forte no íntimo do Ser Humano, pois ela provém da sua origem espiritual e faz ver como inaceitável toda desigualdade convencionada, ainda que estabelecida e consumada pelas leis humanas. Mesmo que, na tua totalidade, as religiões sempre conviveram com as desigualdades e em certos períodos da história, chegaram a legitimá-la como instrumento da autoridade divina, que representavam.
No entanto, sempre surgiam, no seio religioso ou fora dele, quem não aceitava tal situação e por seus exemplos e opiniões se colocava contra ela. Em nossa tradição ocidental-cristã, muitos foram os pensadores não religiosos, há cerca de 300 anos, a se pronunciarem contra a escravidão, citando-a com um sistema absurdo e desumano de convivência, a ser banido na sua totalidade, o que somente ocorreu, em meados do século XX, quando algumas nações, ainda reticentes, adotaram a proibição nos seus códigos de leis.
Atualmente, em meio à globalização e as facilidades de comunicação, que trazem uma melhor fiscalização às injustiças e desigualdades, apesar de ainda não sermos capazes de extirpa-las, vivemos uma busca mais apurada dos valores espirituais, o que constitui um vigoroso impulso para a Humanidade, com vistas ao estabelecimento de uma sociedade mais digna e com título de civilizada, na qual direitos e oportunidades sejam igualmente assegurados a todos e se possam observar somente as diferenças de méritos pessoais. Seguramente, isso ocorrerá quando reconhecer-se a fraternidade como o melhor sistema de relacionamento e houver a certeza quanto à nossa condição de seres espirituais que, ora no corpo e ora fora dele, peregrinamos em busca de conquistas de evolução, nos termos do amor e da sabedoria a se incorporarem persistentemente à nossa individualidade imortal.

Livro dos Espíritos – Questão 812-a
Será possível que todos se entendam?
- Os homens se entenderão quando praticarem a lei de justiça.

Fonte de Pesquisa: www.boletimsei.org.br

sexta-feira, 29 de março de 2013

Felicidade

por H. Thiesen 

Entre os seres vivos que habitam o Planeta, chamado Terra, o ser humano é o único que acredita que é infeliz e passa a maior parte da sua vida tentando ser feliz. 
O ser vivo, conhecido como humano, é o único que pensa não ser nada e vive tentando ser alguma coisa. Qualquer outro ser do reino animal, nasce, assume a sua natureza, vive e morre. Se agissem como humanos com certeza seriam totalmente insatisfeito, passariam o tempo se queixando, lamentando as suas vidas atribuladas e ameaçadas constantemente pelos seus predadores e esses, da mesma forma, talvez se queixando da comida escassa, mas ambos, tentando se transformarem em outros que julgassem ter vida melhor. Um cão, nasce cão, vive a vida de um cão, morre como um cão e durante o tempo todo, não tenta ser um pássaro. Com certeza, nunca haverá um gato tentando ser em um leão, mas infelizmente não podemos dizer o mesmo do ser humano. O humano quer sempre ser maior do que pode, se é pobre quer ser rico, se é rico quer ser milionário, se é empregado, quer ser o chefe, se é o chefe, quer ser o diretor e, para ele nada basta, nunca está satisfeito, nunca está feliz.
É lamentável este modelo de felicidade, que se aprende desde criança e que é idealizado pela mídia em geral, que mostra a felicidade como sinônimo de posse, de escalada social, de consumismo e, que faz acreditar que este modelo de felicidade, é real, que vale a pena persegui-lo e ir atrás da família perfeita, do marido e da esposa perfeita, do emprego perfeito, do salário perfeito, do amigo perfeito, da saúde perfeita, da casa perfeita e tantas outras coisas perfeitas, que quando conquistadas, são capazes de ruir em instantes.
Como poderá existir perfeição, se tudo o que existe é construído por seres humanos imperfeitos e insatisfeitos com tudo e com todos. É um erro acreditar que a perfeição é uma das causas da felicidade, pois problemas, conflitos e atritos existem e são naturais.
Não existe perfeição, existe sim, a tolerância aos erros e defeitos, seja em qual situação for, na família, no trabalho, nas amizades e nos diversos relacionamentos.
Vida perfeita existe, somente se a tolerância se fizer presente e o ser se contentar em nascer, crescer, aprender, multiplicar e morrer. Vida perfeita é aquela que o ser a aproveita da melhor forma possível, resignado com as suas possibilidades, mas que busca o seu crescimento de forma consciente. O problema é que o consumismo vigente, demonstra que a felicidade pode ser comprada, que feliz é quem que pode comprar, quem pode subir socialmente, que pode vestir uma roupa da marca X ou Y, que pode andar em um carro caro e de último tipo.
O que dizer então, de quem fica imensamente feliz quando ganha uma roupa usada, por não ter com o que se vestir. Isso não é felicidade?
Não existe saúde perfeita, mas saúde temporariamente equilibrada. Todos os seres vivos irão morrer um dia, de doença ou por uma fatalidade. Estar doente não é infelicidade, porque é absolutamente natural. Se sobreviver às doenças e às fatalidades que fazem parte da vida, na velhice com absoluta certeza, não há como escapar à doença ou à falência de órgãos e morre porque é natural morrer. A velhice chega porque o seu corpo aos poucos deixa de funcionar, e funcionava antes porque um dia, ele precisa morrer e deixar espaço para outros que já nasceram e outros que nascerão.
Felicidade não é feita de ilusão, é feita de verdade.
Felicidade é aceitar que a verdade é simples, que um dia nascemos e em qualquer outro dia partiremos, mas vivemos sem deixar que as mentiras nos ensinem e guiem durante a vida.
A vida é muito simples, mas para que facilita-la, se é bem mais fácil dificulta-la!
Ser feliz é muito simples, nós é que complicamos!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Provação Coletiva

por H. Thiesen 

A morte é difícil de ser enfrentada, pois é vista como mistério, muitas vezes como um equívoco ou injustiça de Deus. Todos nós temos compromissos perante as Lei que regem o Universo.

Quando alguém morre, nos sentimos tomados por um sentimento de perda e dor, pois gostamos daquele pessoa que nos deixou e desejávamos que continuasse vivendo conosco. Porém, a morte, juntamente com o nascimento, é a única coisa certa na vida, nascemos e um dia morreremos. Além disso, a morte está entre os acontecimentos normais da existência de todos, partem jovens e velhos, sadios e enfermos, justos e injustos. 
Somos criados para o entendimento da morte, conforme o nosso entendimento religioso, acreditamos na morte como uma separação definitiva e dolorosa e um possível destino, mal ou bom, para quem partiu e a partir disso envolvemo-la em mistérios, dor e dúvidas, pois acreditamos que vivemos uma única vez.
A morte deve ser tratada como natural e antes de ser um fim, um novo recomeço e uma volta aos laços de origem, desse modo, nos tornamos capazes de entender que a morte, é o encerramento de uma missão, de um aprendizado e que outras oportunidades virão, novas missões, novos aprendizados. Começamos a entender que aquela pessoa que partiu, terminou a sua missão conosco, que é chegada a hora de prosseguirmos sozinhos, pois isto nos é necessário. 
Por outro lado, a Lei de Causa e Efeito, rege a vida e a morte de maneira sublime, sem deixar rastros à injustiça e dá a cada um o que lhe é de necessidade e merecimento, na medida certa para o seu aprendizado. Nesse sentido, a morte torna-se uma lição, tanto para os que se vão e para os que ficam.

As grandes comoções que ocorrem na vida trazem sempre enormes perguntas, por parte daqueles que desconhecem a “Lei de Causa e Efeito” e as possibilidades de vidas sucessivas. Por isto, nos momentos de dor, confusão mental e de dúvidas terríveis, questiona-se o próprio Criador: Por que Ele permitiu uma coisa dessas?
Esses acontecimentos, chamados catástrofes ou tragédias, como por exemplo, acidentes aéreos, marítimos, rodoviários, ferroviários ou incêndios, atos terroristas, que ocorrem e vitimam uma quantidade ou grupo de pessoas, muitas delas sem se conhecerem entre si, com famílias inteiras, uma cidade inteira ou até em uma nação, não são punições divinas. Muitas vezes sabemos que em eventos assim, há pessoas de longe, que não deveriam estar naquele lugar, mas estavam no lugar errado e na hora errada. Vemos, ouvimos e sabemos, que muitos sucumbiram, que muitos foram capazes de atos heroicos e como heróis se juntaram ao que sucumbiram no evento, outros estavam naquele lugar para se salvarem e para salvarem vidas. Damos o nome a isso de destino e fatalidade, seja qual for a razão que originou o evento. Não se pode negar que possa haver a fatalidade, pois ela também acontece algumas vezes.  No entanto, ao que se refere à mortes em grande número, em um mesmo evento, isso não é o mais comum. Geralmente são resgates coletivos que várias pessoas, juntas, precisam passar, tanto as que morreram ou as que sobreviveram a ele.
Se analisarmos esses fatos unicamente pelas causas humanas, poder-se-ia chegar à conclusão da má sorte ou azar. Entretanto, quando se compreende que no evento se agrega a lei de causa e efeito e o princípio das vidas sucessivas, tudo toma um outro sentido, passamos a entender que nessas mortes em grande número, há um encontro marcado de Espíritos que foram protagonistas de equívocos em outras passagens e que na atual estada na Terra, estão zerando as suas pendências.
Toda ação que praticamos, boa ou má, recebemo-la de volta. O passado é a origem do nosso presente, ou seja, o que somos hoje é um reflexo do fomos ontem.Se o pensamento vale individualmente, por que não valeria coletivamente? A isto, damos o nome de provação coletiva.
A provação coletiva é a convocação de Espíritos encarnados no instante de uma tragédia ou catástrofe, participantes de mesmo delito ou semelhantes, praticados no passado longínquo. Pode-se citar como exemplos de delitos, as Cruzadas, a Inquisição, as Guerras, os extermínios em massa, os atentados terroristas e outros, uma enormidade de violências e absurdos praticados contra o ser humano, em que todos os participantes se envolveram e somente se livram das suas dívidas e responsabilidades, quitando-as.
Mas por que só agora, numa data tão distante? Perguntarão muitos. Simplesmente por que, como Espíritos em aprendizado, vamos adiando por várias encarnações as expiações, até que haja o entendimento necessário à respeito da importância desse tipo de resgate. Muitas vezes, quando há a compreensão, o próprio Espírito errante pede permissão para cumprir o que é necessário para seu adiantamento.
O importante é que o próprio Espírito assume, antes de reencarnar, um compromisso com o propósito de resgatar seus débitos. André Luiz, no livro Ação e Reação, deixa claro: “Nós mesmos é que criamos o carma e este gera o determinismo”.
Durante a hora do desencarne coletivo, a Espiritualidade Superior, com o conhecimento prévio dos fatos, providencia equipes de socorro para a assistência aos Espíritos que retornarão ao plano espiritual, dando-lhes a assistência imediata e confortadora, pois mesmo que o desencarne coletivo ocorra identicamente para todos, individualmente, a situação dos traumas e do despertar no plano espiritual, dependerá da evolução de cada um, mas nenhum fica sem amparo.
Há aqueles que escapam minutos antes dos eventos coletivos, por não precisarem passar por essa situação.   É por isso que muitos perdem o avião, o trem, o ônibus, ou por outro motivo qualquer não estavam presentes. Há aqueles que estavam presentes no evento, mas escapam "ilesos", pois necessitavam passar pela lição e repensarem. Há aqueles que estavam presente e escaparam com inúmeros ferimentos, quase ficaram à beira da morte, suas lições para repensarem necessitavam de maiores enfases.
Não cai uma só folha da árvore sem que Deus saiba! Daqui não sairás até que pagueis o último cetil! Com certeza, as mortes coletivas é generosidade de Deus para com seus filhos, pois permite-lhes o melhoramento e aperfeiçoamento através de sua renúncias e experiências na Terra, dando-lhes oportunidade para o aprendizado necessário.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Caminhos

por H. Thiesen 


Não creio em acaso, mas sim em caminhos que se cruzam por algum motivo, que não sabemos e não podemos explicar, isso faz parte dessa estrada que seguimos e que chamamos de vida.

Caminhando por ela, cruzamos por muitas outras estradas, nossas encruzilhadas, nossos encontros. Nessas encruzilhadas, em algumas delas a nossa estrada apenas as transpõe, outras  convergem para a mesma direção e se tornam companheiras por alguma distância e finalmente há, nessas encruzilhadas, aquelas estradas que o encontro lhes tornam estradas paralelas e seguem igual direção, até que uma das estradas encontre o seu final, mas aquela estrada mais longa, deverá seguir o caminho e passará por muitas outras encruzilhadas, até encontrar o seu final.

Cada encruzilhada na estrada da vida é uma oportunidade para aprender, retirar as arestas dos nossos defeitos, crescer e conviver.

Cabe a nós fazer que cada um dos encontros valha a pena e não se traduzam mais tarde em desencontros. Se as estradas um dia haverem de se separar, que fique a lembrança e que se eternize pelo amor e pela amizade!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Felicidade e Autossustentabilidade


por H. Thiesen 

A maioria das pessoas procura pela felicidade, mas de maneira errada buscam-na de maneira exterior, esquecendo-se que ela sempre está presente, no espaço interior, no seu emocional, na sua mente e no seu corpo. Para descobri-la-la é necessário uma tomada de consciência e de atitudes de onde e como encontrá-la.
Segundo Leonardo Boff, corporeidade ou dimensão como corpo, é tudo que é relacionado ao conjunto de relações que o ser humano tem com o universo, com a natureza, com a sociedade, com os outros e com sua própria realidade concreta, quanto aos cuidados com o ar que respira, com os alimentos que consome, com a água que bebe, com as roupas que veste e com os relacionamentos. É então, o ser humano inteiro e mergulhado no tempo e na matéria, um corpo vivo, dotado de inteligência e sentimentos. Um corpo total que vive numa trama de relações, que eclodem do seu interior para fora e para além de si mesmo, trocando energias sumariamente, desta forma, em todas as nossas ações físicas e até mesmo em um pensamento, trocamos com o meio no qual vivemos, parte da nossa energia.
A felicidade depende da nossa autossustentabilidade e um ser humano autossustentável é capaz de renovar energias de forma autônoma, que o leva à resultante, a harmonia interior.
A principal chave para isso é encontrada quando nos descobrimos nossa espiritualidade e começamos a nos ver como seres espirituais, parcelas de uma rede de consciências e capacitados para a construção e manutenção de um bem comum, ou seja, somos parte de um todo chamado Espiritualidade. Este Todo nos influência, tanto nos campos mentais, emocionais e físico, mas somos nós os responsáveis pela receptividade às influências que nos atingem, sejam elas boas ou más.
A paz ou o mal-estar são vivenciados e experimentados, através de atividades e emoções e podem ser construtivas ou destrutivas.
As emoções destrutivas, como o ciúme, o apego exagerado, a raiva e o orgulho são grandes causadoras de estresse, geram de conflitos, sofrimentos e dor para com os outros ou para consigo mesmo.
A humanidade, ou pelo menos grande parte dela, se deixa levar pelas emoções destrutivas, o que muitas vezes resulta na perda do autocontrole. Durante um momento de raiva, grita-se, ofende-se, magoa-se, muitas dessas vezes, a quem se ama, para depois vir a culpa e  o sofrimento. De outra forma, muitos acham a raiva um sentimento inferior, mas não deixam o orgulho. Outros não guardam rancores, são humildes, mas constroem dentro de si um eterno sentimento de rejeição. Qualquer que sejam os jeitos, ao contrário dos que possuem a raiva em si, continuam com as mágoas e ressentimentos, apesar de não serem expressos, as vezes imperceptíveis a eles mesmos, repetindo tais sentimentos, durante meses ou anos, indo de encontro ao estresse e acabando por somatizar a sua raiva, o seu orgulho a sua rejeição, transformando-os em úlcera duodenal, enfarto e até mesmo em um câncer.
Se fácil é deixar esses sentimentos e atitudes inferiores tomarem conta de nós e difícil é dominá-las, podemos adotar uma terceira via, tomando consciência que são sentimentos que cooperam para a nossa infelicidade e deixar que elas passem. Afinal de contas, depois de um acesso de raiva, qualquer um volta ao normal, então para que passar por ele. Desde quando guardar rancor resolve problemas? Então para que senti-lo? Pensar que é inferior ou rejeitado fará os outros lhe aceitarem? É claro que não, no máximo sentirão pena.
Está com raiva, quem xingar alguém, ficou com vontade ofender uma pessoa? Vai tomar água, encha a boca de água e só a engula depois que passar!
É lógico que para aparecerem os resultados é necessário dar tempo ao tempo, é como um desafio e a vitória tem que ser alcançada, muitas vezes necessita de que façamos estratégias, as quais se adaptem a nós para que cheguemos a reta de chegada da melhor maneira possível, neste caso, a vitória é alcançada livrando-se dos sentimentos e emoções inferiores e ruins e buscando a harmonia interior.
Para obter-se ainda mais alegria e harmonia, é necessário  cultivar altos sentimentos humanos, como a alegria de compartilhar e querer a felicidade com as pessoas ao redor,  a compaixão, o sentimento e o ato de ajudar o outro a aliviar o seu sofrimento e dar tratamento igual para com todos os seres, sem nenhuma preferência por um ou por outro.
Amar o próximo como a si mesmo,  fazer pelos outros, o que quereríamos que os outros fizessem por nós, é o conceito mais completo de felicidade, pois resume todas as regras de relação, deveres e direitos de cada um para com o próximo. Não encontraremos um conceito mais seguro e abrangente, a tal respeito, que tornar padrão, que devemos fazer aos outros, somente aquilo que desejamos para nós mesmos. Qual seria o nosso direito de exigir de alguém, melhor maneira de proceder, mais indulgência, mais benevolência e devotamento para conosco, se da mesma forma não agirmos? A prática desse ensinamento tende à destruição do egoísmo e da injustiça. Quando é realmente adotado como regra de conduta e para base para qualquer instituições, compreende-se a verdadeira fraternidade, a paz, a justiça e encontra-se a felicidade.
O amor verdadeiro resume tudo, visto que é um sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do que progredimos. O homem originariamente, somente possui instintos, quando corrompido, tende a ter sensações, quando instruído e depurado, tem sentimentos. O ponto crucial do sentimento é o amor, não aquele vulgar do termo, mas esse o verdadeiro, que lhe ilumina o interior e que reúne em seu objetivo as aspirações e as revelações sobre-humanas e imateriais da vida.
No homem, o ponto de partida é o instintos e necessário a ele, caminhar na direção de uma meta, o sentimento. O homem moderno, pouco avançou em relação ao ponto de partida, mas a fim de atingir a meta, tem a ele que vencer os obstáculos dos próprios instintos, em proveito dos seus sentimentos, isto é, aperfeiçoar-se, desatando os  seus laços à matéria. Os sentimentos trazem consigo o progresso.
Transformar os instintos em sentimentos é um trabalho árduo e prolongado. É uma fase de intensa atividade e tomada de consciência, qualquer mudança brusca no ambiente pode ser fatal (somo influenciados pelo meio). O Espírito precisa ser cultivado e preparado para a colheita. Toda a riqueza futura depende do trabalho atual, que se traduzirá em felicidade e essa conquista é muito mais do que bens terrenos e relacionamentos mundanos. É então que o Espírito, compreendendo a lei de amor que liga todos os seres, adentra os prelúdios das alegrias celestes, pois o amor é a essência divina e todos nós, temos dentro de nós, a centelha dessa chama ardente.
Não adianta o corpo estar bem, se a mente continua agitada, sem paz espiritual, gerando uma invasão de pensamentos incessantes e no final de um dia ter vontade de ir para cama e dormir! Esta é a atividade típica da uma mente com infinitas produções e funções bastante úteis de um cotidiano.
A atividade mental permite raciocinar, lembrar, apreciar, comparar, julgar, decidir, avaliar, acusar e defender, é uma atividade normal do espírito.
Se lembrarmos de um inimigo, a raiva surge imediatamente e perdemos a paz de espírito! 
A mente, propriedade principal do espírito, é capaz de obstruir o caminho e o acesso à paz, fazendo-nos perder o controle. Portanto é necessário disciplina, condicionamento e auto-conhecimento, para estabelecer hábitos salubres diferentes dos comuns e rotineiros. A vigilância precisa ser constante e são indispensáveis a vontade, paciência, perseverança e autoconfiança, para ultrapassar os obstáculos que a nossa mente é capaz de produzir e ter consciência que os objetivos deverão ser conquistados de etapa em etapa. 
Lentamente os condicionamentos passam a fazer parte do nosso inconsciente, passando a aquietar as ansiedades e criando em nós, o equilíbrio emocional, moldando as ambições, elevando a qualidade moral, transformando desejos em realizações e pensamentos em atitudes. Desaparecem então, os medos e os mecanismos de auto-punição e aflitivos, adquiridos durante o processo de tentativas de regeneração do ser.
Essa conquista leva a uma mente saudável, que passa a comandar a vontade do ser, que o faz distinguir automaticamente e sem esforço algum, o que deve e o que pode ou não fazer, bem como define os objetivos de sua existência, amadurecendo-o emocional e psicologicamente, a fim de enfrentar as eventuais dificuldades que fazem parte de todo o processo de crescimento.
O Ser deixa de querer triunfar sobre os outros, conquistar o mundo, tornar-se famoso, conduzir as massas, ser endeusado, porque para ele é mais importante a luta para conquistar-se e realizar-se interiormente, de onde surgirão possibilidades para a conquista de outras posses, que serão de secundária importância, mas necessárias para a sua vida, que se traduzem no desenvolvimento e no progresso da sociedade.
Tanto o ser humano como os animais, as plantas, todos os objetos e o mundo ao nosso seu redor são constituídos de uma mesma energia, assim sendo, neste nível de compreensão, nada pode ser separado da verdadeira natureza das coisas. Se tudo é a mesma energia, torna-se impossível separar a unidade do todo. É impossível separar a individualidade da totalidade planetária, energeticamente falando. Cada um de nós sistema individual que faz parte de um mesmo sistema maior e único. Em cada um de nós convivem células, órgãos, pensamentos, emoções e sentimentos, que interagem com os da coletividade.
Finalizando, ser feliz é ter a mente em bem-estar, isso é, arrumar a nossa casa mental, para que ela não nos condicione ao sofrimento, analisar e estudar a nossa condição mental, nos seus mais variados aspectos, na busca da sustentabilidade do nosso ser, de forma ética e responsável, tanto na nossa individualidade, quanto na coletividade. Felicidade é uma libertação de nós mesmos!